Pais maduros gerenciam crises; Pais imaturos usam os filhos durante as crises

julho 30, 2019

As consequências negativas só ficam nítidas quando, já crescidos, os filhos não conseguem estabelecer vínculos afetivos estáveis e duradouros

Benjamin Franklin disse: "viver é enfrentar um problema atrás do outro. O modo como você o encara é que faz a diferença". Será que você tem enfrentado seus problemas e crises de maneira assertiva? Será que na hora da tempestade você se mostra fraco? Na hora dos conflitos seus filhos lhes enxergam como uma torre forte ou como um prego na areia?

O ser humano enfrenta diversos momentos difíceis ao longo dos anos, mas quando ele não está preparado emocionalmente para encará-los, sua vida pode ser afetada severamente. Os problemas afetivos e familiares geralmente causam um forte impacto na vida dos envolvidos, podendo desencadear problemas graves de estresse e sofrimento psicológico nos pais e, principalmente, nos filhos.

Mesmo que seja um processo complexo, é possível superá-lo quando há um gerenciamento assertivo dessa crise, mas para isso, é necessário estar disposto a assumir a responsabilidade de suas ações e ressignificar-se.

O desenvolvimento da inteligência emocional é o fator chave para agir diante dessas questões com sabedoria, pois ela permite avaliar os problemas de maneira mais equilibrada e coesa, evitando reações impulsionadas por sentimentos negativos.


Todo e qualquer problema pessoal, por pior que possa parecer, é uma oportunidade de aprendizado e, sempre que possível, deve ser encarado com uma perspectiva positiva. É evidente que essa habilidade demanda esforço e comprometimento diário, e nem todas as pessoas estão dispostas a isso, mas é possível evitar situações bastante prejudiciais quando ao menos um dos envolvidos consegue desenvolvê-la.

Digo isso porque, antes que uma crise se manifeste, existem sinais que demonstram que há algum problema e uma pessoa emocionalmente inteligente consegue contornar a situação por meio de um diálogo franco e coerente para que o problema não se agrave ainda mais no futuro.

Crianças são indefesas, fisicamente fracas, emocionalmente vulneráveis, intelectualmente crédulas e financeiramente dependentes. Muitos pais, diante de separações e divórcios, praticam a alienação parental, difamam a imagem do pai ou da mãe para os filhos. Sem pudor, difamam o outro genitor, não levam em conta que, o que eles pronunciam para os filhos sobre o pai ou a mãe deles, afeta seu mundo emocional.

Possuir boas relações com os pais é o pilar para uma vida equilibrada e harmoniosa e o que forma adultos felizes. A ausência de empatia, elogios, respeito e amor provoca um estrago tão intenso nos filhos, que descaracteriza a personalidade deles de maneira fugaz e é capaz de alterar a percepção que os filhos têm deles mesmos.

As consequências desta descaracterização é o transtorno de ansiedade, a incapacidade de adaptação em ambientes psicossociais normais, a baixa autoestima, o transtorno da identidade, sentimento incontrolável de culpa e isolamento, comportamento hostil, falta de organização, dupla personalidade e, em casos extremos, suicídio.

Filhos que, além de presenciarem brigas, separações e a dor das mudanças, não podem expressar o amor pelo pai, pois tem a sensação de estarem traindo a mãe, caso amem o pai que foi embora. Filhos que cresceram ouvindo histórias de como a mãe não presta, e como ela foi fria ao abandoná-los, sofrem absurdamente.

Podemos nominar também estes casos como relações abusivas, quando o pai ou a mãe se sente no direito de destruir as emoções dos filhos contra um dos pais. Geralmente quando acontece uma separação ou um divórcio e essa ruptura não é bem elaborada pelos pais, as dores da mãe traída, ou do pai rejeitado, torna-se uma questão que os filhos devem vingar.

Não é levado em conta que um mau marido ou uma má esposa, não é necessariamente um pai ruim, ou uma mãe degenerada. Relações abusivas são quando um dos pais destroem as pontes de relação dos filhos com o outro genitor. Os pais que fazem isso acreditam ter a posse dos filhos e são extremamente imaturos e egoístas.

Essas relações abusivas acontecem sorrateiramente e silenciosamente, quando o filho percebe já se passaram anos e a relação foi perdida, porém os traumas são reais. Pais imaturos que obrigam seus filhos a se esquecerem de que possuem um pai ou mãe por capricho, ego e egoísmo, que proíbem visitas ou a ter qualquer tipo de contato, roubam a saúde mental dos seus filhos e certamente no futuro colherão os frutos dos seus atos.

Pais imaturos manipulam, usam e expõe os filhos contra o outro genitor, incutindo neles o ódio, a raiva e afastando-os de qualquer contato e convívio. Eles fazem uma "lavagem cerebral" na mente dos filhos e não se importam com a fragilidade, frustração e expectativas dos filhos, apenas com seus interesses egoístas. O ideal era se importar com os sentimentos dos filhos e ensiná-los a superar as separações, os traumas e dramas com segurança, sem acusar, denegrir e atacar o genitor, mas não é bem assim que muitos adultos resolvem o fim dos seus relacionamentos.

Filhos de pais imaturos ficam desamparados emocionalmente, e este episódio se estende pelo decorrer da vida. As consequências só ficam claras quando esses filhos crescem e não conseguem estabelecer vínculos afetivos estáveis e duráveis. Quando não se estabilizam em nenhum emprego, quando se tornam carentes e necessitados de afeto e atenção alheia, quando necessitam ser aprovados constantemente.

Pais maduros conversam de maneira respeitosa e buscam uma alternativa para as suas dificuldades emocionais enfrentadas diante de separações ou divórcios, mesmo quando a relação chega ao fim, o respeito pelo outro permanece. Pais maduros sabem que independentemente do término, haverá um laço eterno com os filhos.


Artigo por Tania Queiroz - Escritora, Personal & Professional Coaching / psicoterapeuta holística familiar, infantil e juvenil / Atua na área da educação corporativa e de desenvolvimento humano, treinando gestores, inspirando educadores, orientando crianças, jovens, pais e inúmeros outros profissionais há mais de 25 anos
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Post: Lucieni Soares
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