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Os dentes também sofrem com a pandemia


Consultórios odontológicos e terapeutas registram aumento de casos de bruxismo relacionados a ansiedade


A tensão, a ansiedade, o estresse e a variação de humor causados pelo medo e a incerteza gerados pela pandemia do novo Coronavírus e pelo isolamento social contribuíram para o aumento do bruxismo, desordem no sistema nervoso central. 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicados no portal da Associação Brasileira de Odontologia, mostram que cerca de 40% dos brasileiros sofrem com o bruxismo. No mundo, 30% da população é afetada pelo incômodo.

A cirurgiã-dentista, Angélica Siqueira, afirma que o bruxismo pode ter relação com problemas psicológicos em decorrência ao cenário pandêmico atual. Antes da pandemia, havia prevalência de 6% a 8% do bruxismo, em vigília e durante o sono. “Com a deflagração da crise sanitária global, o bruxismo em vigília duplicou, ficando em 12%, enquanto o do sono registrou aumento de quase quatro vezes, passando para 28%”, revela.

Os motivos para a elevação dos casos ainda não foram completamente determinados. Mas as pistas apontam que, segundo a psicóloga Maria Madalena Gióia, o aumento de sintomas de depressão e ansiedade, bem como de distúrbios do sono, ao longo dos meses de Covid-19 podem estar relacionados ao transtorno. “Angústia e medo foram os principais sentimentos vivenciados pelas pessoas durante o período, seja por perder um ente querido ou o emprego, além da incerteza do futuro. Esses desajustes acabam refletindo no funcionamento do corpo, o que chamamos de doenças psicossomáticas”, esclarece a psicóloga.

Psicóloga Maria Madalena Gióia

O bruxismo mais brando, de acordo com Angélica Siqueira, é mais comum do que se imagina e afeta tanto crianças quanto adultos.

Na população mundial, cerca de 30% das pessoas têm essa condição, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, dados oficiais apontam que o problema atinge 40% da população. “Ainda que o bruxismo não seja um transtorno perigoso, pode causar lesões dentárias permanentes se não for tratado”, alerta.

Conforme esclarece a cirurgiã-dentista, o bruxismo ainda não tem cura, mas possui tratamento. “É classificado como uma desordem no Sistema Nervoso Central, que provoca movimentos involuntários dos músculos da face, provocando deslizamento entre os dentes ou apertamento dos mesmos, as principais consequências são desgastes dentários severos, dores de cabeça e da face e problemas na articulação da mandíbula e sono inadequado aumentando ainda mais o cansaço e estresse”, explica Angélica.

Cirurgiã-dentista Angélica Siqueira 

Os sintomas manifestam-se principalmente pela noite na maioria dos casos, no momento do sono, mas pode ocorrer também durante o dia. “A saúde bucal está inteiramente ligada ao sistema psicológico das pessoas, muitas doenças e complicações relatadas nos consultórios odontológicos estão diretamente conectadas a problemas emocionais”, define Angélica.

Pacientes com bruxismo devem ser acompanhados por toda a vida, além do profissional dentista, um psicólogo ou um fisioterapeuta devem trabalhar em conjunto para o controle da desordem. Via Naiara Gonçalves
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