Goiânia: Ateliê do Gesto estreia “Dança Boba”

setembro 16, 2019

Uma experiência refrescantemente simples, para plateias leves

Com uma agenda nacional bastante intensa, o grupo se apresenta em Goiânia nos dias 19, 20, 21 e 23 de setembro no Teatro Centro Cultural UFG. A próxima será em Singapura, na Malásia

Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida”. A frase de Clarice Lispector inspira o mais novo espetáculo do grupo de dança Ateliê do Gesto, que terá sua estreia em Goiânia em setembro. Nascido da espontaneidade, “Dança boba” é um espetáculo baseado no improviso e oferece leveza ao público, que pode inventar sua própria história sobre o que vai assistir. A estreia acontece no Teatro Centro Cultural UFG, Setor Universitário, nos dias 19, 20, 21 e 23 de setembro, às 20 horas. Os ingressos custam R$10 inteira e R$5 meia e poderão ser comprados antecipadamente via: www.sympla.com.br.

Entre os dias 8 e 11 de outubro o espetáculo será reapresentado exclusivamente para estudantes de escolas públicas. Também será oferecida oficina de dança com Ateliê do Gesto de 25 a 27 de setembro, no mesmo espaço, das 19h às 21h. Os interessados devem enviar e-mail para: ateliedogesto@gmail.com. Este projeto tem financiamento da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

João Paulo Gross e Daniel Calvet, bailarinos criadores do Ateliê do Gesto, apresentam este novo trabalho levando ao público um estado de bobeira, sonhador e contemplativo. Calvet, criador do espetáculo, deseja que o público saia dali com sensação de leveza “Eu gosto de imaginar o espetáculo criando a sensação de um copo de refresco bem geladinho numa tarde muito quente. Pois são nesses momentos, em que nos permitimos contemplar nossas experiências, é que encontramos soluções. Pois a vida se constrói como um grande jogo de improviso”, comenta o bailarino.

Além de serem afetados por leveza e beleza, o público ainda pode imaginar a narrativa que quiser, de acordo com seus sentimentos e repertório. Ele participa, assim, inventando a história junto com os bailarinos. “A gente se diverte ouvindo umas interpretações que nunca conseguiríamos imaginar para o que fazemos. E isso é muito interessante, porque afirma a noção de que a arte não se faz apenas do intérprete que a executa, mas de um diálogo com o universo íntimo de quem assiste. O que você entende de uma obra é muito mais um espelho de você mesmo do que uma afirmação sobre o que você assistiu”, explica Calvet.

Durante todo o espetáculo, a palavra de ordem é descomplicar. É assim que a simplicidade permeia o espetáculo, desde a coreografia nascida das provocações do instante, até a cenografia e iluminação. “O palco é desprovido de grandes artifícios, como as pesadas cortinas ou uma iluminação focal. Utilizamos objetos, com os quais vamos construindo espaços e situações onde executamos as danças”, adianta Calvet. O mesmo acontece com a trilha sonora. “Ela foi encontrando o seu ritmo conforme fomos testando cada coisa, em sequências distintas, determinadas pelos desejos dos nossos corpos a cada dia de ensaio, e assim as coisas foram encontrando o seu lugar”, complementa.

O processo de construção

Com uma média de cinco apresentações mensais, o Ateliê do Gesto possui uma agitada agenda de trabalho, percorrendo todo o Brasil e o exterior. Neste ano, por exemplo, já passaram por 12 cidades brasileiras, pelo Peru, Equador e agora seguem para Singapura, na Malásia. Entre as estradas e os camarins, Daniel Calvet sentiu falta de ter um espaço para criação. Ele e João Paulo Gross, seu parceiro de palco, apresentaram “O Crivo” desde 2015 por mais de 110 apresentações, passando por mais de 60 cidades. O corpo parecia já estar acostumado aos mesmos movimentos, quando Calvet quis sair daquele padrão. Foi quando convidou Gleysson Moreira, bailarino com quem dança “Cabaré Rosa Grená”, para criar este espetáculo. A brincadeira de improvisos gerou o “Dança Boba”.

Todos os espetáculos do Ateliê do Gesto têm espaços para improvisos. “Dança Boba”, contudo, está todo pautado nesta forma de criação. “No Crivo a partitura está toda desenhada e nós devemos improvisar texturas, intensidades, temperaturas e jogar com o que o outro propõe, sem abandonar a partitura. Já no Dança Boba a partitura de movimento não existe e nós temos o roteiro das intensidades, gradientes, atitudes, texturas e espaço todo desenhado para que preenchamos com movimentos novos a cada vez”, explica Calvet.


Sobre Ateliê do Gesto

O Ateliê do Gesto nasceu da busca por novas percepções e diálogos com outras linguagens artísticas no corpo em movimento. Através de identificações estéticas e o desejo de trabalharem num projeto autoral, João Paulo Gross e Daniel Calvet (artistas com carreiras consolidadas e passagens por importantes cias de dança no Brasil), se juntaram para pesquisar o corpo, tendo como ponto de partida o movimento e sua construção dramatúrgica na cena. Desse encontro nasceu “O Crivo”, espetáculo inspirado na obra de Guimarães Rosa, ganhador do Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2015, do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás 2015, que continua circulando pelas cinco regiões do Brasil e por diversos festivais internacionais. Em 2018 o grupo integrou o Palco Giratório, projeto de circulação das artes cênicas, que contempla todo o país, produzido pelo SESC – Departamento Nacional. No primeiro semestre de 2019 realizou o projeto SESI Viagem Teatral, realizando uma circulação por 5 cidades do interior do estado de SP.

Neste ano o grupo tem circulado com seus espetáculos de repertório, “O Crivo” e “Natureza Morta”, no Brasil, na América Latina e agora, na Ásia, difundindo a dança contemporânea que produzem no estado de Goiás. Para o próximo ano, Ateliê fará estreia de um espetáculo de dança para o público infantil. 
Por Ana Paula Mota - Produtora Cultural e Assessora de Imprensa - 62 9 9941-5464. Foto: Layza Vasconcelos


Inscreva-se


TWITTER

InstagramSiga nosso Instagram

Curta a FanPage
Próxima Postagem
« PRÓXIMA
Postagem Anterior
ANTERIOR »

Deixe seu Comentário: