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Autismo ou TDAH: como diferenciar e por que muitas famílias se confundem

Por Margareth Almeida


Nos últimos anos, muitas famílias passaram a observar com mais atenção o comportamento das crianças. Com isso, uma dúvida aparece com frequência nas conversas entre pais, professores e profissionais da área do desenvolvimento infantil:

Será autismo ou TDAH?

No artigo anterior desta coluna, conversamos sobre sinais de neurodivergência na infância e sobre como alguns comportamentos podem indicar que a criança percebe o mundo de forma diferente.

A partir dessa observação, muitas famílias começam a se perguntar: como diferenciar autismo e TDAH?

Embora alguns comportamentos possam parecer semelhantes, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) são condições diferentes e precisam ser compreendidas com cuidado.

Entender essas diferenças ajuda pais e educadores a oferecer o suporte adequado para o desenvolvimento da criança.

O que caracteriza o autismo (TEA)

O Transtorno do Espectro Autista está relacionado principalmente a diferenças na comunicação, na interação social e no processamento sensorial.

Entre alguns sinais que podem aparecer na infância estão:

•dificuldade em manter contato visual;

•diferenças na comunicação ou atraso na fala;

•interesses muito específicos;

•comportamentos repetitivos;

•necessidade intensa de rotina;

•sensibilidade a sons, luzes ou texturas.

Algumas crianças também podem demonstrar formas diferentes de brincar, como alinhar objetos, observar movimentos repetitivos ou focar em detalhes específicos de brinquedos.

Esses comportamentos não significam falta de interesse ou desobediência. Muitas vezes representam formas diferentes de perceber e organizar o ambiente ao redor.

O que caracteriza o TDAH

Já o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) está mais relacionado a dificuldades de atenção, impulsividade e hiperatividade.

Entre alguns sinais comuns estão:

•dificuldade em manter atenção por longos períodos;

•inquietação constante;

•impulsividade;

•dificuldade em esperar a vez;

•esquecimento frequente;

•dificuldade em organizar tarefas ou atividades.

Crianças com TDAH geralmente demonstram interesse em interagir com outras pessoas, mas podem ter dificuldade em manter o foco, controlar impulsos ou finalizar atividades.

Por isso, muitas vezes são descritas como crianças agitadas, distraídas ou muito impulsivas.

Autismo e TDAH podem aparecer juntos?

Sim.

Um ponto importante é que autismo e TDAH podem coexistir. Ou seja, uma criança pode apresentar características das duas condições ao mesmo tempo.

Nesses casos, compreender o funcionamento da criança se torna ainda mais importante para que pais e educadores possam construir estratégias adequadas para o dia a dia.

Por isso, uma avaliação profissional cuidadosa é fundamental para compreender o que realmente está acontecendo.

O que o comportamento da criança está tentando comunicar

Uma das mudanças mais importantes que acontece quando os adultos passam a compreender o desenvolvimento infantil é perceber que:

comportamento é comunicação.

Aquilo que muitas vezes é interpretado como birra, teimosia ou desobediência pode estar relacionado a:

•dificuldade de regulação emocional;

•sobrecarga sensorial;

•dificuldade de atenção;

•necessidade de previsibilidade;

•dificuldade de compreender o que está sendo solicitado.

Quando pais e cuidadores passam a entender esses sinais, conseguem ajustar a forma de conduzir situações do cotidiano.

O papel da orientação parental

É nesse momento que a orientação parental pode fazer diferença.

A orientação parental ajuda pais e responsáveis a compreender melhor o comportamento da criança e a construir estratégias mais eficazes no dia a dia.

Pequenos ajustes na rotina, na comunicação e na forma de conduzir determinadas situações podem reduzir conflitos e ampliar a autonomia da criança.

Mais do que corrigir comportamentos, a orientação parental busca fortalecer a relação entre pais e filhos e favorecer o desenvolvimento infantil.

Quando procurar orientação profissional

Se pais ou professores percebem dificuldades persistentes relacionadas à atenção, comportamento ou interação social, buscar orientação profissional pode ajudar a compreender melhor o que está acontecendo.

A informação correta permite construir estratégias mais adequadas para o desenvolvimento da criança.

Compreender o funcionamento da criança é sempre o primeiro passo para ajudá-la a crescer com mais segurança, autonomia e qualidade de vida.

Nos próximos artigos desta coluna, vamos aprofundar uma dúvida muito comum entre pais e educadores:

quando uma criança realmente não quer obedecer e quando, na verdade, ela ainda não consegue?

Entender essa diferença é fundamental para compreender o comportamento infantil e construir estratégias mais eficazes no desenvolvimento da criança.


Por Margareth Almeida, Neuropsicopedagoga, Especialista em Autismo (TEA) e TDAH, Aplicadora ABA

Atendimento em orientação parental para famílias de crianças neurodivergentes, atendimento domiciliar na Baixada Santista e também online. Instagram: @neuromargarethapoio

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