Furiosos mas inativos

março 07, 2018
Artigo por Antônio Spada


Você não gosta de política? Melhor para os ladrões engravatados que vem tomando este País de assalto, de eleição em eleição

Tem muita gente que diz, em alto e bom som, que “detesta política”. É compreensível. Dentro do conceito de livre arbítrio que Deus nos deu, isso é perfeitamente aceitável. Ocorre que, em se tratando de política, aquelas que gostam nadam de braçada e assumem os comandos de uma cidade, de um Estado e do próprio País, para azar de todos. E o azar é tanto maior quanto a ganância e a voracidade da maioria dessa classe de políticos e seus correligionários em tomar de assalto os cofres públicos e se locupletarem em operações sórdidas que roubam vidas, esperanças e o próprio futuro de milhões de pessoas.

Segundo o jornal Estado de São Paulo, no dia 14 de fevereiro o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou os partidos políticos a usarem o Fundo Partidário para bancar as campanhas de seus candidatos nestas eleições. Para este ano o valor aprovado pelo Congresso é de R$ 888,7 milhões, dos quais R$ 780,3 milhões oriundos de dotação da União. Com a decisão do TSE, esse valor se somará ao do fundo público eleitoral de R$ 1,7 bilhão, aprovado pelo Congresso no ano passado.

O fundo eleitoral bilionário criado para bancar as campanhas políticas com recursos públicos retirou R$ 472,3 milhões originalmente destinados pelos parlamentares para educação e saúde em 2018. Deputados federais e senadores, quando aprovaram a destinação de verbas para as eleições, haviam prometido poupar as duas áreas sociais de perdas. Levantamento feito pelo jornal Estado mostra que o fundo receberá R$ 121,8 milhões remanejados da educação e R$ 350,5 milhões da saúde. O valor corresponde à transferência de dinheiro das emendas de bancadas – que seria destinado a esses setores – para gastos com as campanhas eleitorais deste ano.


Gente, não é pouco dinheiro. Você é contribuinte? Então saiba que um tiquinho dessa grana toda sai também do seu bolso, do salário suado que recebe no fim do mês. Sim, meu amigo, seu dinheirinho é sugado através de impostos exorbitantes empurrados goela abaixo pela escumalha que decide, nos gabinetes governamentais, como chupar de canudinho mais um pouquinho do seu sangue. Sim, eles oferecem contrapartidas: rodovias sucateadas, educação deplorável, saúde em frangalhos, segurança combalida e por aí vai. E depois de tudo, aparecem com essa conversa fiada de que o benefício recebido pelo aposentado está quebrando a Previdência.

Ora, essa é uma desfaçatez sem limites. Só os benefícios de um dos chamados marajás do Judiciário, por exemplo, corresponde ao recebido por quantos pequenos previdenciários? Dezenas, certamente. Segundo levantamento recente da revista Veja, 86% dos juízes recebem auxílio-moradia, que só na esfera do Judiciário custa ao país 920 milhões de reais por ano. Repita-se: 920 milhões de reais por ano. Então, na verdade, o buraco está em outro lugar – inclusive nas aposentadorias milionárias das castas do Legislativo e do Executivo. Sem contar, é claro, as maracutaias que acontecem em todos os níveis neste país dominado pela corrupção.

E os exemplos de que se falam em milhões nessa sociedade à parte como se fossem picolés, não param de jorrar. Há poucos dias o Sr. Lula contratou um novo advogado para tentar se livrar do presídio em Curitiba. O escolhido foi ninguém menos que Sepúlveda Pertence, um nome poderoso no meio jurídico, cujos honorários para esse caso partiram de 50 milhões de reais. Pergunta-se: quem vai pagar essa conta astronômica? Dê asas à sua imaginação.

Então, meu amigo, ainda que você não goste de política mas está furioso com o andar da carruagem, saia da inatividade e comece a prestar atenção ao seu próprio futuro, porque ele necessariamente passa por essa via. O grande canhão para mudar essa esculhambação geral está em nossas mãos, e se chama voto. Isso porque, quando elegemos um salafrário qualquer, estamos municiando armas que serão disparadas contra os nossos próprios pés. É preciso investir um pequeno tempo que seja e observar o que está por trás daquele candidato especialista em promessas mirabolantes e expert em enganar otários. Porque a conclusão é simples: o otário de hoje será o desesperançado e furioso de amanhã.


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Antônio Spada é jornalista, publicitário e professor aposentado da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Goiás. Foi editor do Jornal Opção, chefe de reportagem do Diário da Manhã e editor das revistas Roteiro e Ruralidade, entre outras. Começou a trabalhar no jornal O Popular como desenhista e diagramador em 1969, e foi finalista por duas vezes no extinto Prêmio Agrobanco de Jornalismo Goiano. Atuou também no mercado publicitário como redator e diretor de arte e criação.
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