Nós, os otários

novembro 08, 2017
Artigo por Antônio Spada


Conta a História que Diógenes de Sinope, “O Cínico”, foi o mais folclórico dos antigos filósofos gregos. Nas primeiras décadas dos anos 400 A.C. andava pelas ruas de Atenas durante o dia com uma lamparina acesa, procurando um homem honesto. Evidentemente ele se referia jocosamente aos políticos e à casta dominante, principalmente, e não poupava chibatadas verbais a quem quer julgasse merecedor de suas reprimendas. Uma das pérolas dele: “Na casa de um rico não há lugar para se cuspir, a não ser em sua cara”. Extremamente crítico, mordaz e despojado, foi certamente o precursor do anarquismo.

Corte-se para os dias de hoje. Lamento, Diógenes, mas sua lamparininha precisaria ser substituída por uma carreta articulada repleta de faróis de alta performance. Porque a tarefa de encontrar um político honesto, convenhamos, foi extremamente dificultada nos últimos tempos e elevada à categoria de missão quase impossível neste nosso Brasil de hoje. Até mesmo a auto-proclamada “alma mais honesta deste país” passaria despercebida nas brumas da esculhambação generalizada que tomou conta da Nação nos últimos anos. Existem ainda políticos honestos? Certamente, porque também não se pode julgar o todo pela maior parte. Mas, são tão raros quanto rastros de lobisomem. Ou quase.

Esta semana mesmo circulou um vídeo no zap que mostra a entrevista de um médico do Mato Grosso, Roberto Yoshida, a um programa de TV. Depois de desfiar as agruras da instituição que dirige, alertando inclusive para o fechamento iminente da casa por falta de, pasmem, oxigênio e comida para os pacientes, o doutor não se conteve: a emoção do vencido falou mais alto e esse profissional com 30 anos de carreira debulhou-se em lágrimas diante dos olhos atônitos da entrevistadora. É o desespero em seu mais absoluto estado, que salta das salas de espera abarrotadas de gente sem esperança para as salas da direção. >


> No Fantástico, aos domingos, o quadro “Cadê o dinheiro que estava aqui?” vem erguendo o manto que salteadores de todos os calibres utilizam para encobrir suas roubalheiras. Isso, em todo o Brasil e em todos os níveis. Vai das obras gigantescas superfaturadas até as verbas de merenda escolar; das grandes capitais aos municípios mais paupérrimos da União. Ou seja, cada meliante rouba o que está ao seu alcance. De milhões e bilhões aos pirulitos da criançada. É uma orgia sem fim com o chamado dinheiro público.

Mas espere aí: está faltando dinheiro para o governo? Atenção, equipe econômica, compre-se chibatas novinhas e vamos esgarçá-las no lombo do contribuinte, esse otário que sempre é chamado a pagar todas as contas. E tomem mais impostos e menos benefícios. Afinal, é preciso recuperar o valor das benesses sem fim que foram outorgadas indiscriminadamente aos parceiros de maracutaias – políticos, empresários, banqueiros e assemelhados. É tremendamente simples e cruel o raciocínio do governo.

Então, senhores otários, formidável grupo ao qual me incluo, precisamos urgentemente tomar duas decisões para começar a sair desse pesadelo sem fim. A primeira: deixar a manada. Ou seja, não votar no candidato que aparentemente pode vencer as eleições. Por esse raciocínio obtuso, o incauto não quer “perder o voto” se optar por outro nome. Mas vai perder muito mais ao longo da vida; a segunda: não votar no “menos ruim”. Esta é outra prática medíocre, largamente alardeada. Ruim é ruim, ora bolas, qualquer que seja a graduação. Nesses casos é preferível anular o voto e não compactuar para eleger novos e velhos malandros.

Somente assim, através do voto mais consciente, podemos começar a incinerar o lamaçal político que cobre o País. E como fede essa coisa nojenta. O Ministério da Saúde deveria advertir que faz mal à saúde, educação, segurança, habitação, aos transportes e aos próprios sonhos de cada um.

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