Torcida fiel

31.12.16

Ele vem chegando de mansinho. Dá uma espiada. Faz como o sujeito na beira da piscina; mergulha o dedão e constata: a água está fria. Mas sabe que vai entrar. Tem que entrar. E o que é melhor: conta com toda a nossa torcida. Então, 2017, prepare-se para a largada e foque nos resultados. Essa prova de 365 dias começa em instantes, e não dá mais para recuar. A humanidade inteira espera por você, torce por você, acredita em você.

Olhe, 2016 está nos últimos metros da carreira dele. Está chegando destruído, sem fôlego, empurrado apenas pela imensa torcida para que conclua logo a prova. Durante sua trajetória muita coisa mudou, aqui e em todo o mundo. Aqui foi deposta uma presidente que não era uma das mais desonestas, mas que em momento algum disse a que veio; tudo ficou nas entrelinhas, e os resultados não foram bons. Nos EUA, o país mais poderoso do planeta, conseguiu-se a façanha de se eleger um presidente sob suspeitas. A política realmente não tem explicação. Simplesmente sofre-se no corpo e na alma as intempéries de sua improbidade.

2016 contabilizou muitas perdas e danos, em todos os terrenos da atividade humana. Na indústria, no comércio, nas relações institucionais e, principalmente, nas relações familiares. Nesta área, incontáveis famílias choraram a partida de pessoas queridas, insubstituíveis. Ricas ou pobres, famosas ou não, todas se foram deixando um rastro de saudades e um buraco imenso na vida dos que ficaram e que verdadeiramente as amavam.

Ainda assim, 2016 também deixa um saldo positivo. Por aqui, a multidão descobriu o caminho das ruas que desemboca na praça da transformação. Sim, gritar, desfraldar bandeiras e bater panelas assustou os poderosos de plantão que, malandramente e para garantir os dedos, entregaram os anéis e fingiram que endossaram as manifestações que pipocaram de Norte a Sul do País.

Tudo bem. Faz parte do processo de evolução, do parto doloroso porém necessário. E lá se foram indústrias, lojas, empregos. É preciso cortar na carne para sentir dor e entender que voto é coisa séria demais para entregá-lo de mão beijada a malandros de todas as matizes. Que fique a lição.

Então, 2017, você tem mais poucas horas para concluir seu aquecimento e cair na piscina de água gelada. Mergulhe de cabeça, que vamos todos juntos das arquibancadas. Gritando, torcendo como nunca, esquentando a água com nossa inesgotável capacidade de manter acesa a chama da esperança. Mergulhe de cabeça, e nesse gesto lave nossas almas dos desenganos, das frustrações, dos sonhos corroídos e das ilusões vencidas. Durante seu percurso, leve-nos a um novo patamar. De moralidade, de ética, de fé, de amor ao próximo. Aos sobreviventes de 2016, um realizador e Feliz Ano Novo!

por Antônio Spada

O Centroeste

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