O amor solúvel

10.8.15
       
        Em busca de inspiração para escrever esta, procurei ajuda na Bíblia, primeiro porque ela fala muito do perdão, da humildade, do amor ao próximo, e nada mais concreto do que o Livro Sagrado para servir de embasamento, além, é claro, de saborear um alimento da alma, que são as poesias de Santo Agostinho. Da Bíblia, pude tirar os seguintes versículos, “Amor tudo sofre ∕, tudo crê ∕, tudo espera ∕, tudo suporta ∕, o amor jamais acaba”( Apóstolo Paulo). De Santo Agostinho, fiz a seguinte escolha: “A medida do amor é amar sem medida”.

       Quisera eu ter podido viver esse amor sem medida, se a outra parte não visse o amor como uma mera passagem, com um relacionamento apenas do agora, sem qualquer efeito ou possibilidade de uma coisa mais duradouro, mais pé no chão. O Carpe Diem é a maior prova do amor solúvel: vive-se o agora, não há por que esperar o amanhecer, nem tampouco esperar o tempo da chuva, porque para o amor solúvel isso é eternizar, e para quem ama a cada semana uma pessoa diferente, torna-se vulnerável a qualquer sentimento. Além, é claro, de cair no descrédito. A solução é não entrar nesse tipo de relacionamento.

       Prefiro entender essa loucura de amor solúvel fazendo perguntas mesmo, quem sabe consigo respostas plausíveis para essa insignificância de sentimentos. Você já conheceu alguém que a cada semana gosta de uma pessoa diferente? Pois o mundo está cheio delas por aí. Eu mesmo falo com propriedade que não há coisa pior que amar alguém que faz do amor uma solução saturada.

       Você já deparou com uma pessoa que se apaixona pelo simples “oi” que a outra lhe direciona pelas redes sociais? Qualquer motivo é motivo para se apaixonar e entregar o seu coração a essa outra pessoa? Pois é....,Basta um convite aceito no facebook, ou no encontro de outras ferramentas virtuais, lá está você embarcando em busca de poemas apaixonados, imagens de corações, de cadeados trancados traçando um elo de fechado para outros amores, beijos enviado pelo vento, imagens de uma lágrima caindo dos olhos. Tudo isso estampado nas suas páginas virtuais. E o mais cômico de tudo isso é que há alguns que fazem declarações indiretas, ou seja, preferem não personalizá-las, porque não é a qualidade que o satisfaz, mas sim, a quantidade. Para os amores solúveis, não há entrega, mas sim recompensas, e estas valem apenas quando interessam ao seu espírito egoísta e centralizador. Ora dão o mundo para estar perto de quem dizem “amar”, ora querem criar asas para distanciar-se do ser “amado”.

       Quero dizer a você que não quero um amor solúvel, desses que o vento leva no primeiro sopro. Não preciso de amores que seguem o caminho sem entrelaçar os meus dedos aos seus, não estou carente a ponto de deixar que o meu amor próprio seja desrespeitado. Preciso, sim, de um amor que venha como estrelas no céu, amor que brilha. Quero sim, um amor como o pôr do sol, radiante. Anseio, sim, por um Bom-Dia de Deus, desses cobertos de desejos e de muita segurança. Exijo, sim, um amor que me faça sentir plena, confiante, realizada. Um amor que me leva às alturas, que me faz tremer quando tocada. Quero um amor Divino, mas pode vir insano, que também faz parte. Necessito de um amor inteligente, que entenda e goste do que escrevo, mesmo que não entenda as razões porque escrevo, mas que esteja ali ao meu lado, dando-me o incentivo necessário para que eu continue acreditando em mim. Aguardo um amor solto, confiável, um amor que queira aquietar o seu coração ao meu, que saiba somar o desejo dos beijos, multiplicar o desejo de estar um ao lado do outro. Quero alegria de sobra em nossos sorrisos, e nunca dividir, quando, no momento de entrega e de desejo, sentir o calor do seu corpo. Só lhe peço: se tiver que errar, erre comigo, os acertos, que sejam comigo, os desejos........que sejam comigo.

       Venha para os meus braços feito rocha. Chegue, chegando, porque para o amor insolúvel terás uma direção, é onda que o mar leva, é prego fincado na rocha, é encontro de almas, é encontro de corações!

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