Nu Escuro volta a se apresentar em Goiânia nesta sexta

setembro 26, 2019

Depois do sucesso da estreia, no último sábado, a Cia de Teatro Nu Escuro reapresenta o espetáculo Dramas ao Cubo, na feira da Praça do Jacaré, no Setor Crimeia Oeste

A obra miniaturiza cenas e histórias femininas, para que caibam em caixas Lambe-Lambe

A peça, formada por seis diferentes histórias sobre mulheres reais e imaginárias, tem a direção da bonequeira Izabela Nascente


No dia 27 de setembro, a partir das 18h, prepare-se para novamente ser transportado para um mundo em miniatura, onde a ficção se mistura com realidade, dentro de caixas que lembram a de antigas máquinas de retratistas lambe-lambe. Neste dia, o público de Goiânia terá novamente ao seu dispor 6 (seis) cubos dramáticos criados pela Cia de Teatro Nu Escuro. Dentro deles, histórias com até dois minutos, contadas por pequenos bonecos, que interpretam personagens reais e imaginários. O projeto conta com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. A entrada é franca.

SEIS DRAMÁTICAS MULHERES

Tudo isto está contido nos seis diferentes cubos criados e construídos pela Cia de Teatro Nu Escuro: de Julia Pastrana (Mulher-Macaco do século XIX) à Elza Soares, cantora inconfundível de nossos tempos. Da lendária Julieta de William Shakespeare à Maria Eliza Alves dos Reis, também conhecida como Palhaço Xamego (primeira palhaça negra do Brasil, maior atração do Circo Guarany entre 1940 e 1960, que fingia ser homem, para seguir seu ofício). De Carolina, a mais famosa e literária catadora de papel do país, até a uma princesa chamada Rosa, que busca um amor impossível.

Segundo a diretora Izabela Nascente, as seis histórias encenadas dentro das caixas do projeto DRAMAS AO CUBO são inspiradas em memórias, mitos e personagens clássicos do teatro, desenvolvendo narrativas onde as personagens femininas são protagonistas.

Izabela, que é Mestre em Performances Culturais pela UFG, bonequeira e também integra o elenco deste espetáculo, comenta sobre a escolha destas personagens como protagonistas das encenações:

Em minha pesquisa de mestrado eu estudei a vida e obra de Julia Pastrana, uma artista mexicana, que por sofrer de uma doença conhecida como hipertricose, acabou integrando espetáculos que naquela época eram conhecidos como Freak Shows, tendo criado uma das primeiras Mulher-Macaco, que no Brasil também ficou conhecido como MONGA. Apesar de ser uma pessoa extremamente culta, que falava várias línguas, durante toda sua vida, Julia sofreu maus tratos, humilhações e foi explorada para o enriquecimento de quem a produzia. Depois de sua morte, por uma gravidez malsucedida, o seu corpo e de seu filho foram embalsamados para serem exibidos, e continuou a gerar lucro para seu dono, por muito tempo. Foi assim que comecei a me interessar em contar histórias destas mulheres, que mesmo em condições inóspitas, lutaram por sua vida, por sua arte, e transformaram de tal forma o mundo em que viveram, que acabaram entrando para a história.

Legado e toque feminino

Quando fala da importância de se recuperar estas histórias, Izabela confirma: “Precisamos lembrar as pessoas sobre quem foram e quem são essas desbravadoras, que deixaram ou estão deixando um legado para os artistas de hoje, tanto homens quanto mulheres. Mesmo no caso das personagens da ficção, como a Julieta e a Rosa, nas nossas caixas elas têm finais diferentes das histórias convencionalmente contadas. Digamos que seja um toque feminino mais ousado. (risos)

LAMBE-LAMBE - uma criação feminina

O teatro lambe-lambe é uma especialidade do teatro de animação que merecia ter, juntamente com o Mamulengo, o título de boneco genuinamente brasileiro. Além disto, considera-se que este estilo de fazer teatro de animação também é uma invenção feminina, concebida em Salvador- BA, no início da década de 80, por duas bonequeiras chamadas Ismine Lima e Denise Santos.

Esta linguagem tão lúdica e tocante surgiu da apropriação da estrutura das antigas máquinas fotográficas, as caixas de retrato cobertas por um pano, que já estavam bem presentes nas ruas do Brasil início do século XX. Essas máquinas eram chamadas comumente de Lambe-lambe, porque o “retratista” usava de sua saliva para ajudar na revelação.
A invenção das duas artistas foi transformar o espaço interno da ‘máquina’, local que capta a imagem a ser revelada, em local que revela uma imagem: um pequeno palco, com imensas possibilidades e uma fonte inesgotável de criação.

Segundo Izabela, esse foi outro aspecto que moveu a Nu Escuro neste projeto. Segundo ela, “Trabalhar com as caixas possibilitou a ampliação do trabalho da Companhia, que sempre se envolve com muitos tipos de pesquisas cênicas. Nesse caso, nós, que já trabalhamos com bonecos, pudemos criar, elaborar, confeccionar e manipular estas pequenas encenações, que são totalmente diferentes da confecção e manipulação de bonecos maiores e mais articulados. Esta é uma outra forma de criar e de atuar.”

Outro diferencial está ligado ao tempo de cada apresentação, de cada caixa. Sobre isso, a diretora comenta: “A estrutura dramática do teatro de Lambe-lambe é a mesma do teatro de animação convencional, mas com uma diferença fundamental: nela se trabalha a síntese. A história tem que ser mostrada em um tempo curtíssimo, em média 2 minutos, para que seja possível alcançar o maior número possível de espectadores. A plateia desse espetáculo é formada por uma ou duas pessoas, no máximo, que vêem a cena pela abertura da caixa e ouve a história em um fone de ouvido, que reproduz a narração e a trilha sonora.” E Izabela complementa: “Mas é sempre emocionante ver a expressão de incredulidade do público, quando eles olham por aquele pequenino buraco e percebem que ali está presente um teatro inteiro. É fabuloso!

AS HISTÓRIAS DOS DRAMAS AO CUBO

As seis caixas terão narrativas independentes com o foco em personagens femininas. As apresentações se repetem ao longo de 1h30min, sem interrupção.

1. Julieta: A tradicional história de Romeu e Julieta aqui é contada de outra forma, Julieta percebe que é melhor seguir do que morrer, afinal, tem apenas 16 anos e ainda tem muito para viver;

2. Rosa: Um amor impossível que se torna possível por conta de um beijo apaixonado;

3. Pastrana: O tradicional número da Monga surge de uma nova forma. Pastrana, uma bela mulher de pelos no corpo se transforma em um terrível monstro normatizado. Quem é o verdadeiro monstro?

4. Elza: Dentro de uma “caixa-lata” trazemos a história de Elza Soares. Em poucos minutos, entenderemos como ela chegou a um canto tão peculiar e se tornou uma das mais importantes cantoras do século;

5. Elisa: “Todo mundo quer saber o que é o Xamego, ninguém sabe se ele é branco se é mulato ou negro...” Com esta musica, Luiz Gonzaga anunciava Xamego, um pequeno palhaço que fazia sucesso no Circo Guaranis. Na verdade, Xamego era Maria Eliza, a primeira palhaça Negra do Brasil, que se vestia de homem para conseguir realizar seu oficio;

6. Carolina: Carolina poderia ser uma mulher qualquer, uma catadora de papel, que sustentava seus filhos com este trabalho. Porém, com aquilo que as pessoas achavam que era resto, descartável, ela escreveu sua história e se tornou uma das escritoras que mais vendeu livros na década de 60 com seu diário mais famoso: O quarto de despejo.

FICHA TÉCNICA
Direção: Izabela Nascente
Elenco: Adriana Brito, Izabela Nascente, Lázaro Tuim
Assessoria dramatúrgica e estética: Anibal Pacha
Figurino: Rita Alves
Bonecos: Izabela Nascente e Anibal Pacha
Caixas Lambe Lambe: Alexandre Leite, Anibal Pacha, Euller Teodosio, Cia Nu Escuro
Iluminação: Abilio Carrascal
Fotografia: Layza Vasconcelos
Assistente de produção: Hélio Fróes
Produção: Lázaro Tuim

Por Ana Paula Mota - Produtora Cultural e Assessora de Imprensa - 62 9 9941-5464. Foto: Layza Vasconcelos

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