Perdemos a capacidade de pensar?

junho 03, 2019

Santo Agostinho diria que sim. Nunca se teve tanta informação e tão acessível. Sabe-se tudo sobre tudo. Eu me pergunto: Será isso um novo tipo de inteligência? Ou a consagração da superficialidade?

Me parece que as informações vêm sendo replicadas de forma indiscriminada. Isto é, sem reflexão ou filtro, gerando uma dificuldade de interpretação e entendimento.

Talvez o conceito de pensar tenha sido sempre nebuloso, confundido, sobretudo, com a capacidade de armazenar informações. O fato de uma pessoa ser informada, não significa que ela pense, reflita e tenha discernimento. Ela é simplesmente informada. Pensar é outra coisa. Isso porque o ato de pensar é livre de julgamento e referências culturais ou morais. É um ato de verdadeira liberdade.

Faço um exemplo: ao conhecer uma pessoa, qual a primeira coisa que tendemos fazer? Julgar. Buscamos nosso repertório cultural para “adivinhar” sobre o recém-conhecido. E a partir daí desfiamos nossos pré-conceitos para julgar o novo.

E como seria se conseguíssemos substituir o julgar pelo pensar?

Em primeiro lugar, nos aproximaríamos com empatia e sem buscar padrões em nosso repertório já conhecido. Dessa forma, tentaríamos compreender, com o máximo de generosidade, a realidade circunstancial e essencial do sujeito julgado.

Esta é a essência do pensar: Procurar entender o imenso espectro que envolve cada pequena realidade. Refletir a respeito. Doar-se de coração e alma. Porque ninguém, nenhum de nós existe isoladamente. Somos seres dentro de uma contingência. Somos observadores e observados, todos nós. E o modo como somos percebidos ou percebemos o outro interfere, e muito, em nossas vidas.

Evidentemente não é tarefa fácil. Pensar desestabiliza muito. É preciso um arsenal de qualidades humanas para ter a coragem de pensar e mudar o já pensado. Requer generosidade, inteligência, capacidade de reflexão, empatia, introspecção, abertura cultural, maturidade, segurança pessoal, coragem.

Pensar não produz verdades absolutas ou regras a serem seguidas. Tampouco é lucrativo ou produtivo no sentido utilitário destas palavras. Pensar te faz conhecer, entender, compreender. Para que serve? Nada. Ou tudo. Serve para perceber a essência da vida.

Por Carolina Michelini / Pensar Contemporâneo
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Post: Lucieni Soares
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