Por que os Universitários não aderiram ao Movimento de Mobilização da UFG em 2016?

7.2.17

Alguns motivos levaram para que o corpo docente e discente da Universidade Federal de Goiás não participasse do movimento de mobilização em sua maioria, bem como da adesão destes à greve que se cogitou acontecer. Portanto depois de análise profunda com base em dois autores racionais e utilitaristas podemos verificar que não obstante aos motivos externos ao movimento como a sua eficácia perante a finalidade da causa, também preponderante foram os motivos estudados nos movimentos sociais por um economista e um filósofo respectivamente Mancur Olson¹ e Jon Elster², em que o fracasso pôde ser explicado.

A falta de participação ampla nos movimentos de mobilização da UFG ocorreu porque “os indivíduos não agiram como utilitaristas, em que todos os interessados queiram promover o bem comum” (Elster, 1940,p.159). Também, de acordo com Olson, alguns pontos evidenciaram as falhas para seu êxito como; o objetivo claro, o tamanho do movimento, o comprometimento individual, os acordos, a coordenação e/ou organização. Todavia o movimento poderia ter alcançado o sucesso, se houvesse a aplicabilidade de ações sob o prisma da “Lógica da Ação Coletiva”(Olson, 1990).

O Movimento se expandiu de forma desarticulada e muitos de seus membros se evadiram, Olson diz que quanto maior for o grupo maior será a dificuldade de organização tornando comprometida a inclusão de seus indivíduos e sua adesão, se não houver coerção ou incentivo individual. Portanto notamos as falhas no movimento de acordo com “a teoria dos grupos sociais e das organizações” e percebemos que muitos não se reconheciam dentro do movimento, pois cada indivíduo se tornara muito pequeno, além de que mesmo havendo a racionalidade de que os interesses pessoais estão inseridos nos interesses do movimento ainda assim não foi o suficiente para que houvesse a adesão e ou a permanência. Também não definiu concretamente seu objetivo e tão pouco promoveu a participação de professores e alunos de forma que estes se sentissem à vontade para se juntar, bem como participar de forma efetiva, pois segundo o autor “é necessário identificar o propósito comum em uma organização, bem como a promoção dos interesses dos participantes” (OLson, 1999,p.17). E ainda, podemos caracterizar o movimento da UFG como um grande grupo em que a ambivalência residiu nos indivíduos deixando de realizar qualquer contribuição individual por não haver ônus ou bônus de forma perceptível dentro do mesmo. (Olson, 1999, p.57).

Ações a fim de obter maior participação a partir de algumas estratégias: 1.Tornar o Movimento de Mobilização em um grupo latente “mobilizado”, em que contaria com recompensas positivas (Olson, 1999, p.63, p.72); 2.Transformá-lo em “federativo” havendo uma grande quantidade de pequenos grupos implantados a partir das salas de aulas, contando com seus professores e alunos em suas respectivas disciplinas, contudo os benefícios poderiam ser auferidos como recompensas (Olson, 1999, p.75; p.76); 3.Utilizar os meios de comunicação de massa com o fim de pressionar a comunidade interna à adesão, bem como o apoio da comunidade e entidades da sociedade buscando sua empatia ao movimento.

1. MancurOlson (Grand Forks, 22 de janeiro 1932 - 19 de fevereiro de 1988) ,economista e cientista social norte-americano que, de forma pioneira, apropriou-se de modelos econômicos para o estudo de fenômenos sociais e políticos.

2. Jon Elster, filósofo e cientista político e social norueguês, explica a metodologia para a análise de questões específicas da sociedade.


Por Antonio Oliveira

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