Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge completa 20 anos

16.6.17

Proporcionar encontros que valorizem a sociobiodiversidade, possibilitando a troca de saberes e fazeres. Esta é a missão da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge - CCCJ, nascida em meio ao cerrado goiano, em 1997, no distrito de São Jorge, antiga vila de garimpeiros, em Alto Paraíso de Goiás, à entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Valorização cultural, força, fé, alegria, resistência e diversidade são os valores que norteiam a história do Cavaleiro – como é chamado pela comunidade –, erguido em paredes de pedra toá, típica da região, com o propósito de ser um espaço democrático para manifestações da cultura popular tradicional e um símbolo sustentável de fortalecimento das expressões da diversidade cultural.

Entre os dias 15 e 30 de julho, a CCCJ realiza uma das atividades que comemoram os seus 20 anos: o XVII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, um simbólico grito de resistência na luta pela conservação ambiental e das tradições culturais existentes no Brasil, em especial de origem indígena e quilombola. Na programação, nomes como Chico César, Doroty Marques e a Turma Que Faz, Alessandra Leão e Caçapa, Conrado Pera, Silvan Galvão, Rosangela Silvestre e Mestre Slano já estão confirmados. Os grupos tradicionais veteranos do evento, como o Congo de Niquelândia, os grupos de cultura popular do Sítio Histórico Kalunga, a Caçada da Rainha de Colinas do Sul, a Catira e Folia de São João D’Aliança, o Terno de Moçambique de Perdões, do Seu Júlio Antônio, e o Tambores do Tocantins, todos continuam a fazer parte da programação.

Sobre a motivação por trás da iniciativa, Juliano George Basso, presidente da CCCJ, explica: "Fomos guiados pela vontade de fazer com que comunidades nunca antes ouvidas pelo poder público pudessem erguer a voz e mostrar toda sua sabedoria”. Para Basso, o Encontro é um sinônimo de desenvolvimento social, humano e econômico da região da Chapada dos Veadeiros. Com apenas 800 habitantes, durante o evento o vilarejo de São Jorge chega a receber 30 mil pessoas de todo o mundo, movimentando o turismo local. Além disso, para muitas comunidades participantes, o Encontro representa uma importante fonte de sobrevivência, já que a renda levantada com a venda de artesanato e outras atividades comerciais garante sua subsistência por alguns meses – caso da comunidade indígena Fulni-ô, que logo após a Aldeia Multiétnica inicia o ritual sagrado do Ouricuri, em que ficam reclusos por até três meses, e da comunidade quilombola Kalunga, que dedica o recurso arrecadado à grande romaria de Nossa Senhora d’Abadia, festejo que ocorre na comunidade durante o mês de agosto.

Reconhecendo que apenas se alinharmos as políticas de meio ambiente às políticas sociais alcançamos resultados significativos, em sua 17ª edição o Encontro de Culturas fortalecerá os debates em torno da sociobiodiversidade brasileira, com foco nas águas do cerrado, abrindo novas perspectivas de uso sustentável da biodiversidade e da sabedoria popular pertencentes aos territórios das comunidades tradicionais. As ações sensibilizam quanto à riqueza do patrimônio cultural imaterial e à importância da preservação do cerrado, bioma considerado a caixa d’água do Brasil por abrigar as nascentes de rios que beneficiam oito das 12 grandes bacias hidrográficas brasileiras, e que corre sérios riscos decorrentes do desmatamento para a expansão agrícola. Defender o cerrado é proteger as águas brasileiras.

As comunidades tradicionais, remanescentes quilombolas e povos indígenas vivem majoritariamente em áreas rurais e dependem dos elementos naturais para reproduzirem seu modo de vida, costumes e tradições”, lembra Basso. “Para eles, as águas dos rios, mares e lagos são usadas para uso pessoal, doméstico, transporte e irrigação, mas também representam um bem simbólico, presente em seus mitos e rituais ancestrais e onde habitam os seres sobrenaturais de suas crenças. Daí a importância do tema deste ano”, finaliza.

Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge: 20 Anos de História

Ao longo de seus 20 anos, a CCCJ marcou importantes conquistas. A realização de dois encontros independentes, em 1998 e 1999, contando apenas com voluntários e membros da comunidade, foi o alicerce que, em 2001, deu origem ao Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros. Idealizado para promoção e preservação das culturas indígenas e remanescentes quilombolas, essa atividade estimula o desenvolvimento dos negócios e da infraestrutura locais, que se adaptaram para receber o fluxo de turistas, tanto brasileiros quanto estrangeiros, que visitam a região.

O sucesso dessa iniciativa viabilizou a criação de outros projetos socioculturais, como a parceria com a artista popular Doroty Marques, que gerou o Turma Que Faz,envolvendo as crianças e adolescentes da região em atividades educativas, artísticas, culturais, esportivas e ambientais, e o Encontro de Lideranças Quilombolas de Goiás, cuja proposta é discutir políticas públicas voltadas aos povos tradicionais.

Em comemoração aos seus 20 anos, a CCCJ terá em sua programação cultural de 2017 uma retrospectiva do trabalho realizado em prol da valorização das culturas tradicionais do Brasil, com destaque para o estado de Goiás, trazendo, ao mesmo tempo, novas ações de continuidade que atuem pela mesma causa. A base da programação será formada pelas quatro comunidades que deram início ao Encontro de Culturas: a Comunidade do Sítio Histórico Kalunga, com a dança Sussa e o Império do Divino Espírito Santo; a Caçada da Rainha, das comunidades de Colinas do Sul; a Congada, da Comunidade de Niquelândia; e a Catira, de São João d’Aliança. Cada uma delas será representada por uma exposição de fotografias no espaço da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, com duração de dois meses cada, além de atividades voltadas à discussão sobre a cultura, os costumes, a história e a realidade dessas comunidades, abertas ao público e aos turistas.

Haverá ainda a exibição de filmes com temática ligada às culturas tradicionais e populares do Brasil e do mundo, oficinas especiais que englobam a realidade da Chapada dos Veadeiros, shows especiais e espetáculos de teatro com grupos trazidos de outras localidades, levando ao público da região atividades que na maioria das vezes são acessíveis apenas nos grandes centros urbanos.

A CCCJ foi nomeada Pontão de Cultura pelo Ministério da Cultura e recebeu prêmios como o Cultura Viva, sendo selecionada como uma das dez melhores iniciativas em prol das culturas populares e tradicionais do País. Em 2015, o Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros foi consagrado com o prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, concedido pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) na categoria que contempla iniciativas de excelência na promoção e gestão compartilhada do Patrimônio Cultural.

Informações
Helena Castello Branco
helena@bookcrossing.com.br
www.cavaleirodejorge.com.br

Ana Paula Mota
anapaulamota@gmail.com
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